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Uma cerveja para João Silva

novembro 10, 2010

‘I’m Good, Baby,’ Joao Silva Says

October 26, 2010, 5:47 PM
Tuesday, 12:45 p.m. | Updated

Mr. Silva was admitted Friday to the Walter Reed Army Medical Center in Washington, said Ms. McNally, who was there to greet him. “He was awake and recognized me immediately and held my hand,” she said. “I asked him if he wanted to say anything to all, and he said: ‘Thanks for all your support. I will return the e-mails as soon as I can.’” Mr. Silva made a request of his own. “He said, ‘I want a beer’ — very, very clearly.”



JOÃO SILVA, FOTÓGRAFO
Caubói solitário
Por Ivan Marsiglia

“E eu fui atrás dele. Nem bem dei uns cinco passos quando o estrondo de uma explosão povoou inteiramente os meus ouvidos. Um zumbido agudo e interminável brotava na minha cabeça. Uma nuvem negra de fumaça fez desaparecer tudo à roda e eu tive a impressão, nítida, de que a bomba explodira exatamente em cima do soldado Henry. Quando a fumaça se dissipou um pouco e eu ainda não via Henry, imaginei que ele tivesse sido projetado para longe e a essa hora já devia até estar morto. Ele apareceu na minha frente de repente, com o rosto transformado numa máscara de horror. (…) Senti-me sentado e não descobri por quê. Entrevi Shimamoto, saindo da fumaça, e ainda lhe perguntei: ‘Shima, você está ok?’ Ele trazia um cigarro aceso e tentou colocá-lo na minha boca. Não aceitei. Sentia na boca um gosto ruim, como se tivesse engolido um punhado de terra, pólvora e sangue – hoje eu sei, era o gosto da guerra. Cuspia, cuspia, mas aquela gosma amarga permanecia na boca. Então senti um repuxão violento na perna esquerda e só aí tive consciência de que a coisa era comigo.”
O relato acima está no livro de memórias O Gosto da Guerra (Objetiva, 2005), do grande repórter brasileiro José Hamilton Ribeiro. É do exato instante em que, em 20 de março de 1968, o correspondente da revista Realidade pisa em uma mina no Vietnã e perde a perna esquerda. A cena, com poucos retoques, serve para descrever o acidente ocorrido 42 anos depois, no sábado, dia 23, no Afeganistão – envolvendo o fotógrafo português João Silva, de 44 anos. Assim como Zé Hamilton, João seguia um grupo de soldados americanos em terreno minado. Como ele, pisou no que os militares chamam de IED: Improvised Explosive Device, construído em madeira ou plástico, e de difícil detecção pelos sensores e cães farejadores que o precederam. O infortúnio de João, porém, foi ainda maior, e ele teve as duas pernas amputadas dos joelhos para baixo.

O melhor do mundo

Até quinta-feira (28/10), Greg, que depois que se casou e se tornou pai de dois filhos não mais fotografa guerras, preferindo dedicar-se à sua produtora de documentários em Johannesburgo – ainda não havia falado com João, que continuava sedado em um hospital na Alemanha. “Ele é o melhor fotógrafo de guerra do mundo hoje. E sempre foi apaixonado pelo que faz, embora nos últimos tempos tenha me dito que, cedo ou tarde, teria que parar de se expor tanto. A atividade, hoje, é cada vez mais perigosa, pois os correspondentes de guerra tornaram-se alvos preferenciais e as empresas de comunicação não conseguem mais bancar seus custos. Muitas optam por comprar fotos digitais dos próprios civis nas áreas de confronto.”

Notícias de João Silva

2 Comentários leave one →
  1. Wank Carmo permalink
    novembro 12, 2010 12:39 am

    Um brinde saboroso a fotógrafos como João. Ele voltará…

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