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“Por dentro do Wikileaks”

dezembro 14, 2010

O link vem do Link do Estadão. Mas hoje, o Estadao.com ficou fora do ar, pelo menos desde aqui de Barcelona.

Copie e cole. Tente mais tarde. O enlace é…

http://blogs.estadao.com.br/link/uma-brasileira-no-olho-do-furacao/

Vamos para a pródiga rede…

Uma brasileira no olho do furacão

Por Tatiana de Mello Dias – Link-Estadao.com

Sempre munida de gravador, notebook e câmera, ela já esteve com refugiados tibetanos no norte da Índia, indígenas sob massacre na Colômbia, cholas bolivianas e em favelas de Cancún. Agora, está no olho do furacão. Foi a brasileira escolhida por Julian Assange para traduzir e publicar em primeira mão documentos do WikiLeaks sobre o Brasil. Agora, a vida da jornalista Natália Viana está, como define, uma “loucura”. Suspeita que celular e e-mails sejam monitorados. Mas conta, em entrevista por e-mail ao Link, que já tem certeza que esses documentos estão mudando a realidade dos governos mundiais.
Natália está publicando documentos do WikiLeaks em português. Também é a responsável por traduzi-los e produzir matérias diárias para um blog e para o wiki do projeto. Seu envolvimento com o WikiLeaks começou a ser traçado há quatro anos, quando ela foi fazer mestrado em Londres. Se envolveu com centros de jornalismo investigativo e começou a colaborar com veículos estrangeiros, como os jornais ingleses Independent e Guardian. “Participei de investigações interessantíssimas sobre corrupção transnacional, abusos de empresas multinacionais, guerra biológica”, conta. De volta ao Brasil, estreitou o contato com os jornalistas investigativos de fora. E conheceu o pessoal do WikiLeaks, “muito querido e respeitado neste meio”.
Natália virou parceria do site recentemente, para ajudar na divulgação do Cablegate. Ela conta que, lá dentro, o trabalho é feito por diversos colaboradores voluntários que se comunicam “o tempo todo” através de mensagens seguras. É como uma agência de notícias. “Discutimos a pauta, como será o ângulo, quem vai editar e a hora. Como cada um está em um lugar, os horários são diferentes, então temos de coordenar para conseguir que o material saia na hora certa”, explica. Natália conta que não há rotina. “A coisa caminha de acordo com o que acontece no dia”, diz, exemplificando com os últimos acontecimentos desde que o WikiLeaks vazou 250 mil documentos diplomáticos dos EUA. “O site sofreu ataques hackers, foi tirado da Amazon, o dinheiro foi cortado e o Julian foi preso. Claro que tudo isso acaba prejudicando o trabalho, mas continuamos firme”.

Ela já imaginava que o vazamento teria uma grande repercussão, mas não tinha ideia do tamanho da reação dos EUA, que responderam com pressão sobre as empresas, bloqueio de fundos e ameaças a Assange. “Poxa, isso só mostra que eles não sabem como lidar com algo que é novo”, diz. O WikiLeaks é um opositor inédito e está fora dos enquadramentos legais normais. Por isso, Natália acredita que os vazamentos já estão mudando a realidade. “Ficam tentando arrumar um conceito penal para poder dizer que o que o WikiLeaks – e o Julian especificamente – faz é crime. Mais que o conteúdo dos telegramas em si, o desespero dos EUA vem de não saber como lidar com esse conceito de transparência radical possibilitada pela internet”, reflete.

NATALIA VIANA

Em bom português
Sou repórter independente e há dez anos escrevo reportagens sobre política, direitos humanos e meio ambiente. Depois de concluir um mestrado na Goldsmiths College em Londres, tenho dedicado os últimos anos a buscar um canal direto entre o jornalismo investigativo brasileiro e a comunidade internacional.
Nessa caminhada me envolvi em um dos projetos mais inovadores do jornalismo atual, o WikiLeaks, como colaboradora para o lançamento dos arquivos das embaixadas americanas pelo mundo, o Cablegate. A ideia era produzir matérias originais em primeira mão para o público brasileiro no site do WikiLeaks,  além e estabelecer parcerias com a mídia local.
Nesse site você vai poder ler todas as matérias escritas para o WikiLeaks, além outras reportagens investigativas, literárias e em HQ.

Por dentro do WikiLeaks

Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos.
O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela “pode gerar insegurança” ou “atrapalhar o andamento das coisas”. A imprensa simplesmente não tem esse direito.
É por isso que, enquanto o Wikileaks é chamado de “irresponsável”, “ativista”, “antiamericano” e Assange é perseguido, os cinco principais jornais do mundo que se associaram ao lançamento do Cablegate continuam sendo vistos como exemplos de bom jornalismo – objetivo, equilibrado, responsável e imparcial.
Uma ironia e tanto.

3 Comentários leave one →
  1. Guaracy Monteiro permalink
    dezembro 14, 2010 1:58 am

    Aqui o link abriu.

    …Ela conta que Assange a procurou porque sabia que o Brasil “é uma referência para quem luta por software livre ou trabalha com cultura digital”. “O WikiLeaks me perguntou se eu tinha interesse em participar do projeto, lendo os documentos, elaborando uma estratégia de divulgação aqui no Brasil…

    Não vejo muita coisa no Brasil. Pelo menos não como se vê no Guardian. E parece que a posição da mídia no Brasil é mais para ficar em cima do muro do que tomar partido. Veja que o partido aqui é o da transparência.

  2. Claudio Versiani permalink*
    dezembro 17, 2010 7:47 am

    Apesar dessa hsitória que é do Estadão, acho que os jornais brasileiros ainda não estão dando muito espaço para a história do WikiLeaks.

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